Como o Estado brasileiro prejudica a Economia
O Brasil carrega um Estado desenvolvimentista grande, equipado e barulhento, mas incapaz de direcionar o próprio poder. Em vez de usar incentivos para mudar a estrutura produtiva, o país distribui benefícios sem exigir contrapartidas, reage a pressões e administra crises como quem cobre vazamento com fita adesiva. O Estado não lidera a economia. Ele corre atrás dela. A autonomia real, necessária para coordenar políticas de longo prazo, se perdeu em meio às barganhas do presidencialismo de coalizão. O governo precisa sobreviver semana a semana, o que empurra qualquer estratégia para o curto prazo. Em paralelo, grupos organizados capturam políticas e bloqueiam qualquer exigência séria de reciprocidade. O resultado são iniciativas caras e pouco efetivas, como o Plano Brasil Maior, a Zona Franca de Manaus e desonerações bilionárias que não mudaram comportamento algum. Sem coordenação entre agências, cada órgão segue sua própria agenda, e nenhuma instituição consegue organizar políticas industriais de forma coerente. A fiscalização é frágil; a responsabilização, quase inexistente. Assim, as rendas se multiplicam sem gerar capacidades produtivas. Criam dependências, não desenvolvimento. No fim, o país opera uma máquina enorme com o freio de mão puxado: consumo alto de energia, pouca velocidade e um destino que nunca muda. É um sistema que se preserva, mas não transforma.


