O que Mises e Popper tem em comum?
Lidos com atenção, Karl Popper e Ludwig von Mises começam do mesmo lugar: não existe observação pura, a teoria vem antes da experiência, indução não funda ciência, e a explicação social precisa partir do indivíduo em situação. A divergência real não é “teoria vs dados”. É outra: o que fazer com os pressupostos a priori.
Aqui entra o ponto decisivo do episódio:
Mises expõe e justifica um núcleo categorial (ação, escolha, meios e fins) como condição de inteligibilidade da própria experiência econômica.
Popper também depende de a priori (como o princípio da racionalidade e o esquema conjecturas–refutações), mas tende a tratá-los como postulados metodológicos úteis, sem pretensão de justificação última.
O resultado é uma leitura mais forte: não é antinomia; é complementariedade.
Mises fornece o chão lógico que impede a economia de virar estatística sem teoria.
Popper fornece a disciplina crítica que impede a teoria aplicada de virar catecismo.
Se você quer metodologia robusta para ciências sociais, o caminho não é escolher “time Mises” ou “time Popper”. É entender onde cada um acerta, onde cada um pressupõe, e por que a combinação dos dois resolve mais problemas do que cria.


