O mito sobre o "imposto repassado"
A ideia de que empresas “repassam” impostos ao consumidor é um dos mitos mais persistentes da economia popular. O texto quebra essa narrativa de forma direta: nenhum imposto é realmente transferido. Preços não sobem apenas porque o governo decidiu tributar algo; preços são determinados pela demanda e pelo estoque disponível, não pelos custos. Se as empresas pudessem subir o preço sempre que um imposto aparece, elas já teriam feito isso antes — sem esperar o governo. Quando surge um imposto geral sobre vendas, quem arca com ele não é o consumidor final, mas os fatores originais de produção: salários, aluguéis e rendas. A receita bruta das empresas cai, e essa queda se espalha por toda a economia, reduzindo a renda real de trabalhadores e proprietários de fatores específicos. O governo toma parte dessa renda e a direciona para onde quer: armas, subsídios, burocracia. Isso redistribui demanda, distorce investimentos e reorganiza a estrutura produtiva ao bel-prazer do Estado. A conclusão é clara e desconfortável: todo imposto sobre vendas é, na prática, um imposto sobre a renda, embora escondido sob outra etiqueta. E seu impacto final recai sobre quem produz — nunca sobre quem governa.


